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WordPress ‘nacionalêro’

wordpress_BR

A comunidade WordPress-BR foi criada pela paulista Cátia Kitahara em março de 2008, por estar ‘cansada de esperar por uma boa tradução a cada nova versão do WordPress’.

O primeiro trabalho feito foi a tradução do WordPress 2.5, lançada há cerca de um mês após o release original. Nos trabalhos seguintes deram início a traduções de outros programas da família WordPress, como WordPress MU, bbPress, BuddyPress, além de temas e plugins.

Hoje, a Comunidade WordPress-BR se posiciona como referência em WordPress para o Brasil e também para os demais países que falam o português. Dentre os objetivos gerais estão a divulgação do gerenciamento de conteúdo, intercâmbio, produção e integração dos usuários WordPress

Na entrevista dessa edição, o RuaWeb conversou com a idealizadora do projeto, a designer de 35 anos, Cátia Kitahara, que descreve a promoção do WordPress-BR e tira dúvidas quanto aos planos da comunidade para o mercado nacional.

RuaWeb: Com formação em Arquitetura e especialização em Design em Mídia Digitais, como começou o seu envolvimento com a comunidade WordPress e qual foi sua trajetória até a criação do site Wordpress-BR?

Cátia Kitahara: Trabalho como designer há um certo tempo e estava ocupada na criação do site de divulgação da festa, da cidade onde moro, Mogi das Cruzes-SP (no caso, a festa do Divino Espírito Santo), quando o programador que estava no mesmo projeto não pode mais continuar. O site precisava ser concluído, e eu entregá-lo, então resolvi fuçar na internet e me indicaram o WordPress, por ser mais tranquilo de aprender. Percebi que a maioria do material era em inglês e achei ruim entregar o site em outra língua para o cliente administrar. Assim me cadastrei na lista wp-polyglots e pesquisei se tinha alguém traduzindo o material para o português, ou algum interesse em traduzi-lo. Apareceu um rapaz do Rio, o Anderson Clayton, interessado em ajudar. Com o apoio do José Fontainhas, da Comunidade Portuguesa, logo montamos um grupo de tradução.”

RW: Antes desse episódio, você já tinha alguma experiência com desenvolvimento web ou contato com a comunidade do Software Livre?

CK: Não. Não manjava muito de desenvolvimento, nem me considero muito ligada com a comunidade de Software Livre. Aos poucos vou mudando meus hábitos e incorporando aqui e ali, mas não tenho muito tempo para aprenderme/informar, infelizmente. Mas sou super favorável à ideologia!

RW: Quais os ganhos profissionais que você aponta desde que entrou no projeto do Wordpress-BR?

CK: Basicamente a rede de contatos. Conhecer muita gente bacana, com perfis profissionais e gostos parecidos. Por enquanto, não tem recompensa mais concreta por ser um trabalho totalmente voluntário para mim e para mais dez pessoas.

RW: De acordo com a Associação Brasileira de Provedores de Cátia Keiko de CampoInternet (Abranet), o Brasil responde por cerca de 1 milhão dos blogs hospedados no WordPress. Existe um perfil do usuário brasileiro? Quais seriam as particularidades? países que fportuguês.

CK: Apesar de ter uma comunidade grande no Brasil, tem muita gente sem conhecimento avançado. Começam e se interessam a criar sites, mas não se especializam. Falta qualidade em design para os blogs brasileiros em comparação aos norte-americanos, por exemplo. Lá fora se vê muita coisa bacana. O foco dos sites brasileiros fica mesmo no conteúdo e informação.

RW: Você sabe se o WordPress tem planosdiferenciados para o mercado nacional? Quais?

CK: O Brasil abraça bem o espírito do Software Livre. Não tenho informações dos planos concretos do WordPress no país, mas sei pelo José Fontainha, que passou a trabalhar na Automattic, comentários que o Brasil é prioridade para o WordPress. Deve ter muita coisa boa por aí. A expectativa do impacto do BuddyPress no Brasil é grande, e deve ser um sucesso. Recém-lançado, ele transforma o WordPress UM (múltiplos usuários) em uma rede social e a repercussão é grande entre desenvolvedores.

RW: Como funciona o desenvolvimento do WordPress no Brasil?

CK: Internacionalmente falando, o WP é desenvolvido pela Automattic, empresa de Matt Mullenweg (criador da ferramenta), com uma equipe de 40 pessoas, mas quem contribui em peso é realmente a comunidade do mundo inteiro. No Brasil, queremos fazer um levantamento de plugins nacionais, mas aqui no país não tem muita colaboração, ou pelo menos não temos informação a respeito. Quanto mais se sabe e/ou mais se participa, mais a tecnologia será voltada para as nossas necessidades. Em paralelo, a colaboração da tradução já pode ser chamada como parte ou início desse processo.

RW: Como funciona o processo de tradução e colaboração do projeto Wordpress.BR? Em paralelo, vocês também organizam o primeiro evento WordCamp, qual a expectativa?

CK: As traduções começaram pela versão do WordPress 2.5 e levou um mês e meio depois lançamento, em abril. Usamos a ferramenta de tradução online, o Entrans, ele atualiza linhas no arquivo. Qualquer interessado pode colaborar. Funciona com o sistema de cinco a seis avaliadores que liberam o material dos colaboradores. Agora começaram a tradução de codex. Quanto a organização do WordCampBrasil, a expectativa é a melhor possível: as inscrições duraram uma semana, fechando 300 inscrições. No início, não queria me envolver muito, mas como tinha demanda de desenvolvedor, e como virei responsável pelo fórum, acabei me envolvendo mais ainda.

RW: Com a experiência de designer e agora com mais contato com o universo de blog e sites construídos em WordPress, que exemplos de sites/blogs que você considera bons projetos, tanto gráfico como conteúdo?

CK: Alguns dos sites que eu acho interessantes eu incluo na seção Vitrine do site Wordpress-BR. Um deles é o Loodo (www.loodo.com.br). Uma empresa que chama minha atenção é a Ethymos (http://ethymos.com.br/), de Curitiba- PR, que faz vários sites em WP como o (http://soylocoporti.org.br/). Tem também o Xemelê (http://xemele.cultura.gov.br), inclusive a equipe é ativa e nos ajuda muito no site.

RW: Depois do WordCamp, quais são seus planos profissionais para 2009. Algum projeto em outra ferramenta, pretende explorar outras tecnologias?

CK: Pretendo continuar na mesma área e apoiar o WordPress. Quanto a novas ferramentas, não tenho planos para largá-lo, porque não sou programadora, e usar o WP é muito fácil para quem é designer. Contudo, estou ciente que não se pode esquecer que a ferramenta depende do fim. Ou seja, se eu precisar de uma ferramenta flexível, como por exemplo, para um site que precise de mais de um idioma, gerenciamento de conteúdo feito o Plone – mais robusto – é
mais indicado e deverei estudá-lo em www.wordpress-br.com.